Fake power: por que a potência declarada nem sempre reflete a geração real

2026.3.19
Divulgação: Foto - PressWorks
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Fake power: por que a potência declarada nem sempre reflete a geração real 

O setor fotovoltaico brasileiro passou por um período recente de forte expansão, impulsionado pela alta disponibilidade de recurso solar e por incentivos que estimularam a adoção da tecnologia. No entanto, com a redução desses incentivos, o mercado entrou em um momento de desaceleração. 

Ao mesmo tempo, o setor ainda não atingiu um nível pleno de maturidade. A entrada contínua de novas marcas, muitas vezes com foco exclusivo em preço, somada a uma forte pressão competitiva entre fabricantes, distribuidores e integradores, intensificou a disputa comercial em toda a cadeia. 

Esse cenário levou parte do mercado a priorizar custo em detrimento de qualidade, resultando em instabilidade em alguns players e maior risco na escolha de equipamentos e serviços. 

Nesse contexto, torna-se cada vez mais importante evoluir o nível de critério na tomada de decisão, priorizando qualidade, confiabilidade e desempenho real ao longo do tempo. É justamente nesse ponto que a discussão sobre “fake power” ganha relevância. 

Nesse cenário, a qualidade dos equipamentos torna-se um fator cada vez mais relevante para garantir o desempenho esperado dos sistemas ao longo dos anos. 

Recentemente, o Inmetro anunciou o reforço das ações de fiscalização no mercado de módulos fotovoltaicos, após denúncias e indícios de não conformidade em produtos disponíveis no mercado brasileiro. Esse movimento reacende uma discussão importante para o setor: o chamado “fake power”. 

O que é fake power 

O termo “fake power” é utilizado para descrever situações em que o módulo fotovoltaico, na prática, entrega uma potência inferior àquela declarada pelo fabricante. 

A potência nominal de um módulo é determinada em condições padrão de teste, conhecidas como STC, que consideram uma irradiância de 1000 W/m², temperatura de célula de 25°C e condições controladas de laboratório. 

No entanto, mesmo considerando essas condições padronizadas, é esperado que o módulo entregue a potência especificada dentro de uma faixa de tolerância definida. 

Quando isso não ocorre, há um desvio real entre o desempenho prometido e o desempenho entregue, o que pode comprometer diretamente a geração de energia do sistema. 

O papel do Inmetro e os limites da certificação 

No Brasil, a certificação do Inmetro é obrigatória para a importação e comercialização de módulos fotovoltaicos. Ou seja, nenhum módulo pode ser legalmente comercializado no país sem atender aos requisitos estabelecidos pelo órgão. 

Para obtenção dessa certificação, os produtos passam por ensaios laboratoriais definidos em regulamentação específica, como a Portaria nº 140. No caso dos módulos fotovoltaicos, esses testes incluem, entre outros: 

  • verificação de potência (flash test) 
  • inspeções visuais e construtivas 
  • ensaios elétricos básicos 

Dentre esses, a verificação de potência é um dos principais parâmetros avaliados, pois valida se o módulo atende à potência declarada em condições padrão. 

No entanto, é importante destacar que a certificação do Inmetro representa um requisito mínimo de conformidade regulatória, e não necessariamente um indicativo completo de qualidade ou desempenho em campo ao longo da vida útil do produto. 

Onde está o risco na prática 

Um ponto de atenção observado no mercado é que o desempenho validado no processo de certificação nem sempre reflete, de forma consistente, o comportamento dos produtos efetivamente comercializados em larga escala. 

Em alguns casos, os ensaios são realizados com amostras selecionadas em condições ideais, enquanto a produção em volume pode apresentar variações de desempenho. Isso pode resultar em módulos que, na prática, operam abaixo da potência indicada na etiqueta. 

Esse tipo de inconsistência não é necessariamente perceptível no momento da instalação, mas impacta diretamente a geração de energia ao longo do tempo. 

A atuação recente do Inmetro 

Historicamente, a atuação do Inmetro está mais concentrada na certificação do que em fiscalizações recorrentes de mercado, em função de limitações operacionais e de recursos. 

No entanto, nos últimos anos, a entrada de produtos com preços significativamente reduzidos e suspeitas de não conformidade levaram a um aumento de denúncias no setor. 

Como resposta, o Inmetro, em conjunto com outros agentes da cadeia, iniciou uma nova rodada de fiscalizações, com coleta de módulos no mercado e realização de ensaios para verificação de desempenho real. 

Esse movimento sinaliza uma maior atenção à qualidade dos produtos efetivamente disponíveis no mercado brasileiro. 

Impacto direto na geração de energia 

A potência do módulo é um dos principais parâmetros considerados no dimensionamento de um sistema fotovoltaico. 

Quando há divergência entre a potência declarada e a potência real, o sistema passa a gerar menos energia do que o previsto em projeto. 

Esse efeito pode parecer pequeno em um primeiro momento, mas tende a se acumular ao longo do tempo: 

  • ao longo das horas de geração diária 
  • ao longo dos meses 
  • ao longo de toda a vida útil do sistema 

Como resultado, a energia total gerada pode ficar significativamente abaixo da expectativa inicial. 

Impacto no retorno financeiro 

O retorno financeiro de um sistema fotovoltaico está diretamente relacionado à quantidade de energia gerada ao longo da sua vida útil. 

Se o sistema gera menos energia do que o previsto, o retorno do investimento também é impactado. 

Diferenças aparentemente pequenas na potência ou no desempenho podem resultar em perdas relevantes quando analisadas ao longo de 20 ou 25 anos de operação. 

Por isso, a análise de um módulo não deve se limitar à potência de etiqueta, mas considerar a sua capacidade de entregar performance consistente em condições reais. 

A performance acumulada, nesse contexto, torna-se uma variável financeira relevante, influenciando diretamente a taxa de retorno do projeto. 

Como reduzir riscos na escolha do módulo 

Para integradores e clientes finais, a escolha do fabricante é um dos fatores mais importantes para mitigar esse tipo de problema. 

Alguns pontos que devem ser considerados: 

  • histórico e reputação do fabricante 
  • consistência de produção em larga escala 
  • controle de qualidade e processos industriais 
  • rastreabilidade dos módulos 
  • confiabilidade dos dados técnicos informados 

Mais do que analisar apenas preço ou potência nominal, é fundamental avaliar a capacidade do fabricante de entregar consistência entre especificação e desempenho real. 

O papel da tecnologia e da qualidade 

Tecnologia e qualidade de fabricação caminham juntas quando o objetivo é garantir desempenho real em campo. 

Arquiteturas avançadas, processos industriais controlados e testes rigorosos contribuem para maior consistência entre o que é especificado e o que é efetivamente entregue. 

Além disso, módulos com melhor comportamento elétrico e térmico tendem a apresentar maior estabilidade ao longo da operação, reduzindo perdas e aumentando a previsibilidade da geração. 

Conclusão 

O reforço das fiscalizações pelo Inmetro representa um avanço importante para o setor fotovoltaico brasileiro. 

O tema “fake power” evidencia que a potência declarada, isoladamente, não é suficiente para garantir o desempenho real de um sistema. 

Em um mercado mais competitivo e pressionado por preço, torna-se ainda mais importante priorizar qualidade, confiabilidade e consistência de fabricação. 

Projetos mais robustos são aqueles que consideram não apenas o custo inicial, mas a capacidade do sistema de entregar geração ao longo de toda a sua vida útil. 

Sobre a LONGi

Fundada em 2000, a LONGi está comprometida em ser a empresa líder em tecnologia solar do mundo, focando na criação de valor orientada pelo cliente para a transformação completa do cenário energético.

Sob sua missão de 'fazer o melhor uso da energia solar para construir um mundo sustentável', a LONGi se dedica à inovação tecnológica e possui diversas frentes de atuação, incluindo wafer monocristalino, células e módulos, soluções solares para os setores comercial e industrial, soluções em energia renovável e equipamentos para hidrogênio. A empresa fortalece constantemente sua capacidade de fornecer energia sustentável e, mais recentemente, expandiu sua atuação para produtos e soluções de hidrogênio verde, contribuindo para o avanço da descarbonização global. www.longi.com/br/